quinta-feira, 8 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Resgatar a Memória através do Lúdico
As crianças do Cantinho do Futuro participaram da Ação Educativa "Fronteiras"
Jogo Detetive
Leitura de Imagens
Cabo de Guerra
Corrida de Bandeiras (Revezamento)
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O sentido da arte e a guerra sem sentido...
Kseniya Simonova foi a vencedora da edição Ucraniana do Got Talent-Tens
Talento), fez uma animação da invasão da Alemanha na Ucrânia durante a
Segunda Guerra Mundial, tendo usado os dedos e uma superfície com areia.
Trouxe lágrimas aos olhos de juízes e do público.
Foram 8 minutos maravilhosos que demonstraram um talento especial e
trouxeram, através da arte, a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações.
Talento), fez uma animação da invasão da Alemanha na Ucrânia durante a
Segunda Guerra Mundial, tendo usado os dedos e uma superfície com areia.
Trouxe lágrimas aos olhos de juízes e do público.
Foram 8 minutos maravilhosos que demonstraram um talento especial e
trouxeram, através da arte, a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Ação Educativa "Fronteiras"
O Centro de Documentação, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura e o TG 02-047 de Batatais, propõe como ação educativa a leitura das obras da Exposição Fronteiras e a confecção de cartões postais realizados a partir das experiências vivenciadas pelas crianças e adolescentes durante as atividades.
Através de um percurso lúdico-pedagógico os participantes poderão conhecer a história dos pracinhas batataenses e da enfermeira Capitã Altamira que integraram a Força Expedicionária Brasileira durante a 2° Guerra Mundial e um pouco da vida na guerra contada nas correspondências de civis e soldados reunidas no livro Cartas do Front.
A ação educativa foi concebida para atender os alunos do Ensino Fundamental I - II e do Ensino Médio que poderão participar das seguintes atividades:
ü Visita monitorada ao acervo da exposição de longa duração
ü Jogo de detetive e quebra-cabeça para os alunos dos primeiros anos do Ensino Fundamental
ü Leitura espontânea da Exposição Fronteiras através de atribuição de palavras para as nove obras
ü Apresentação da exposição e das cartas que inspiraram os trabalhos artísticos.
ü Projeção de vídeo com imagens de guerras do século XXI e de algumas cenas do filme Crianças Invisíveis
ü Criação e confecção de cartões postais com colagem de recortes de jornais e revistas
ü Brincadeiras: cabo de guerra e corrida de bandeiras
Uma das prioridades do Centro de Documentação é viabilizar o uso e a apropriação dos bens culturais para estimular o sentimento de cidadania e a construção de um diálogo entre passado, presente e futuro através da arte e da história.
Visita monitorada adolescentes da Comunidade do Pão - Fundação Lazzarini |
adolescentes do projeto Comunidade do Pão - Fundação Lazzarini |
ação educativa Fronteiras com os adolescentes da Oficina Pinoquio - Fundação Lazzarini |
leitura das obras |
adolescentes da Oficina Pinóquio - Fundação Lazzarini |
momento criativo: confecção de cartões postais |
criação e confecção de cartões postais |
cartões postais |
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Homenagem aos pracinhas na Itália
É conhecida a participação dos soldados da FEB em importantes batalhas em território italiano, como a batalha de Monte Castello travada no final da II Guerra Mundial, entre as forças aliadas e o exército alemão.
Sob um inverno rígido, com temperatura de até 20 graus abaixo de zero, os brasileiros resistiram à ataques inimigos por quase tres meses até que em março de 1945 iniciou-se a Operação Encore que envolveu a FEB e os americanos da 10th Mountain Division e que levaria a liberar o territorio bolognese e a romper com a Linha Gótica após oito meses de combate.
Os soldados brasileiros mantiveram contato frequente com a Resistência italiana: os partigiani da "Brigata Giustizia e Libertà" e da "Divisione Garibaldi". Essa colaboração caracterizou tambérm a relação entre brasileiros e a população local que foi além dos limites estabelecidos pelos Aleados para a prestação de socorros e de fornecimento de medicamentos e alimentos.Em sinal de gratidão, a população de Monte Castello, Gaggio Montano, Vergato, Cereglio, S. Croce sull-Arno, Castelfranco di Sotto e Pistoia, homenagearam os soldados brasileiros que perderam a vida durante a liberação da Itália da ocupação nazifascista.
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Monte Castello Libertação: monovolume a ritmo aberto Mary Vieira |
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Gaggio Montano |
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Vergato foto di Guido Carboni |
sábado, 21 de maio de 2011
Visão 1944
Meus olhos são pequenos para ver
a massa de silêncio concentrada
por sobre a onda severa, piso oceânico
esperando a passagem dos soldados.
Meus olhos são pequenos para ver
luzir na sombra a foice da invasão
e os olhos no relógio, fascinados,
ou as unhas brotando em dedos frios.
Meus olhos são pequenos para ver
o general com seu capote cinza
escolhendo no mapa uma cidade
que amanhã será pó e pus no arame.
Meus olhos são pequenos para ver
a bateria de rádio prevenindo
vultos a rastejar na praia obscura
aonde chegam pedaços de navios.
Meus olhos são pequenos para ver
o transporte de caixas de comida,
de roupas, de remédios, de bandagens
para um porto da Itália onde se morre.
Meus olhos são pequenos para ver
o corpo pegajento das mulheres
que foram lindas, beijo cancelado
na produção de tanques e granadas.
Meus olhos são pequenos para ver
a distância da casa na Alemanha
a uma ponte na Rússia,
onde retratos, cartas, dedos de pé bóiam em sangue.
Meus olhos são pequenos para ver
uma casa sem fogo e sem janela
sem meninos em roda, sem talher,
sem cadeira, lampião, catre, assoalho.
Meus olhos são pequenos para ver
os milhares de casas invisíveis
na planície de neve onde se erguia
uma cidade, o amor e uma canção.
Meus olhos são pequenos para ver
países mutilados como troncos,
proibidos de viver, mas em que a vida
lateja subterrânea e vingadora.
Meus olhos são pequenos para ver
as mãos que se hão de erguer, os gritos roucos,
os rios desatados, e os poderes
ilimitados mais que todo exército.
Meus olhos são pequenos para ver
toda essa força aguda e martelante,
a rebentar do chão e das vidraças,
ou do ar, das ruas cheias e dos becos.
Meus olhos são pequenos para ver
tudo que uma hora tem, quando madura,
tudo que cabe em ti, na tua palma,
ó povo! que no mundo te dispersas.
Meus olhos são pequenos para ver
atrás da guerra, atrás de outras derrotas,
esta imagem calada, que se aviva,
que ganha em cor, em forma e profusão.
Meus olhos são pequenos para ver
tuas sonhadas ruas, teus objetos,
e uma ordem consentida (puro canto,
vai pastoreando sonos e trabalhos).
Meus olhos são pequenos para ver
esta mensagem franca pelos mares,
entre coisas outroras envilecidas
e agora a todos, todas ofertadas.
Meus olhos são pequenos para ver
o mundo que se esvai em sujo e sangue,
outro mundo que brota, qual nelumbo
- mas vêem, pasmam, baixam deslumbrados.
Carlos Drummond de Andrade
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Acervo Centro de Documentação da II Guerra Mundial |
Meus olhos são pequenos para ver
a massa de silêncio concentrada
por sobre a onda severa, piso oceânico
esperando a passagem dos soldados.
Meus olhos são pequenos para ver
luzir na sombra a foice da invasão
e os olhos no relógio, fascinados,
ou as unhas brotando em dedos frios.
Meus olhos são pequenos para ver
o general com seu capote cinza
escolhendo no mapa uma cidade
que amanhã será pó e pus no arame.
Meus olhos são pequenos para ver
a bateria de rádio prevenindo
vultos a rastejar na praia obscura
aonde chegam pedaços de navios.
Meus olhos são pequenos para ver
o transporte de caixas de comida,
de roupas, de remédios, de bandagens
para um porto da Itália onde se morre.
Meus olhos são pequenos para ver
o corpo pegajento das mulheres
que foram lindas, beijo cancelado
na produção de tanques e granadas.
Meus olhos são pequenos para ver
a distância da casa na Alemanha
a uma ponte na Rússia,
onde retratos, cartas, dedos de pé bóiam em sangue.
Meus olhos são pequenos para ver
uma casa sem fogo e sem janela
sem meninos em roda, sem talher,
sem cadeira, lampião, catre, assoalho.
Meus olhos são pequenos para ver
os milhares de casas invisíveis
na planície de neve onde se erguia
uma cidade, o amor e uma canção.
Meus olhos são pequenos para ver
as fábricas tiradas do lugar,
levadas para longe, num tapete,
funcionando com fúria e com carinho.
Meus olhos são pequenos para ver
na blusa do aviador esse botão
que balança no corpo, fita o espelho
e se desfolhará no céu de outono.
Meus olhos são pequenos para ver
o deslizar do peixe sob as minas,
e sua convivência silenciosa
com os que afundam, corpos repartidos.
Meus olhos são pequenos para ver
os coqueiros rasgados e tombados
entre latas, na areia, entre formigas
incomprensivas, feias e vorazes.
Meus olhos são pequenos para ver
a fila de judeus de roupa negra,
de barba negra, prontos a seguir
para perto do muro - e o muro é branco.
Meus olhos são pequenos para ver
essa fila de carne em qualquer parte,
de querosene, sal ou de esperança
que fugiu dos mercados deste tempo.
Meus olhos são pequenos para ver
a gente do Pará e de Quebec
sem notícias dos seus e perguntando
ao sonho, aos passarinhos, às ciganas.
Meus olhos são pequenos para ver
todos os mortos, todos os feridos,
e este sinal no queixo de uma velha
que não pôde esperar a voz dos sinos.
as fábricas tiradas do lugar,
levadas para longe, num tapete,
funcionando com fúria e com carinho.
Meus olhos são pequenos para ver
na blusa do aviador esse botão
que balança no corpo, fita o espelho
e se desfolhará no céu de outono.
Meus olhos são pequenos para ver
o deslizar do peixe sob as minas,
e sua convivência silenciosa
com os que afundam, corpos repartidos.
Meus olhos são pequenos para ver
os coqueiros rasgados e tombados
entre latas, na areia, entre formigas
incomprensivas, feias e vorazes.
Meus olhos são pequenos para ver
a fila de judeus de roupa negra,
de barba negra, prontos a seguir
para perto do muro - e o muro é branco.
Meus olhos são pequenos para ver
essa fila de carne em qualquer parte,
de querosene, sal ou de esperança
que fugiu dos mercados deste tempo.
Meus olhos são pequenos para ver
a gente do Pará e de Quebec
sem notícias dos seus e perguntando
ao sonho, aos passarinhos, às ciganas.
Meus olhos são pequenos para ver
todos os mortos, todos os feridos,
e este sinal no queixo de uma velha
que não pôde esperar a voz dos sinos.
Meus olhos são pequenos para ver
países mutilados como troncos,
proibidos de viver, mas em que a vida
lateja subterrânea e vingadora.
Meus olhos são pequenos para ver
as mãos que se hão de erguer, os gritos roucos,
os rios desatados, e os poderes
ilimitados mais que todo exército.
Meus olhos são pequenos para ver
toda essa força aguda e martelante,
a rebentar do chão e das vidraças,
ou do ar, das ruas cheias e dos becos.
Meus olhos são pequenos para ver
tudo que uma hora tem, quando madura,
tudo que cabe em ti, na tua palma,
ó povo! que no mundo te dispersas.
Meus olhos são pequenos para ver
atrás da guerra, atrás de outras derrotas,
esta imagem calada, que se aviva,
que ganha em cor, em forma e profusão.
Meus olhos são pequenos para ver
tuas sonhadas ruas, teus objetos,
e uma ordem consentida (puro canto,
vai pastoreando sonos e trabalhos).
Meus olhos são pequenos para ver
esta mensagem franca pelos mares,
entre coisas outroras envilecidas
e agora a todos, todas ofertadas.
Meus olhos são pequenos para ver
o mundo que se esvai em sujo e sangue,
outro mundo que brota, qual nelumbo
- mas vêem, pasmam, baixam deslumbrados.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 14 de maio de 2011
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